Conny Schollkpf teve seu primeiro contato com as APACs em 2007. Em maio do ano passado retornou ao Brasil juntamente com uma delegação alemã. Residente em Munique, faz um trabalho voluntário nas prisões alemãs há quase 30 anos além de atuar na Set-Free, entidade de cunho religioso que trabalha com a causa do preso em seu país. Nesta sua terceira passagem pelo Brasil, onde permaneceu por quase 5 meses, pode se aprofundar no conhecimento da metodologia, vivenciando o dia a dia da APAC de Itaúna, convivendo com os recuperandos, funcionários e voluntários.
FBAC: Com que propósito retornou ao Brasil, mais especificamente a Itaúna, permanecendo por todos esses meses?
Conny: A maioria das coisas que consideramos ser realmente relevantes nós encontramos aqui na APAC. Queremos muito que a APAC floresça na Alemanhã e também na Europa. Desenvolver projetos dentro e fora das prisões para proporcionar um suporte para aqueles que desejam mudar de vida. Criar uma rede em conjunto com outras entidades que também trabalham nas prisões e com as autoridades, pois cada um tem a sua especificidade, a sua característica própria.
FBAC: Você esteve em alguns presídios convencionais aqui em Minas Gerais e também conheceu algumas outras APACs, além da de Itaúna. Quais as diferenças mais visíveis entre os dois modelos?
Conny: É tudo muito diferente. Nos presídios em que estive o primordial é a segurança. Uma vigilância constante em cima dos presos, que não conseguem se expressar. Ali se consegue a disciplina através da força. Já na APAC, a disciplina é mantida através do respeito mútuo, do amor, conferindo responsabilidade aos recuperandos. Não existe uma escala de poderes, uma hierarquia imposta; recuperandos, funcionários, voluntários … todos iguais.
FBAC: Qual a experiência que leva em âmbito pessoal e profissional?
Conny: A experiência mais forte que levo é a Jornada de Libertação com Cristo. Devido a problemas pessoais enfrentados nos últimos anos, eu tinha alguns conflitos internos, mágoas, ressentimentos … E durante a Jornada Deus tirou todos esses sentimentos ruins de mim. Me fez sentir uma cristã renovada. Profissionalmente, foi realmente viver o dia a dia de uma APAC, poder ver tudo o que tem de positivo, mas também os problemas, as dificuldades … Também foi muito boa a experiência que pude realizar com um grupo de trabalho composto por alguns recuperandos, onde criou-se um ambiente onde eles poderiam ser eles mesmos, sem a necessidade de usar máscaras.
FBAC: Quais serão as primeiras ações do seu grupo na Alemanha assim que você retornar?
Conny: Minha primeira ação quando chegar será conversar com o Tobias Merckle (diretor executivo da Prison Fellowship Germany) sobre a APAC e sobre como poderemos trabalhar juntos no projeto. Em seguida me reunirei com o grupo que esteve comigo no Brasil em maio do ano passado para podermos trabalhar o conceito de como será a APAC na Alemanha, de acordo com a nossa realidade. Também tenho uma reunião com alguns políticos interessados na criação da APAC, para uma explanação sobre o nosso trabalho.










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