Encontro teve o objetivo de sensibilizar formadores de opinião da cidade sobre a aplicabilidade da metodologia humanizada de execução penal

 

Na última quinta-feira, dia 24, o Minas Pela Paz – entidade do terceiro setor que promove a cultura de paz no Estado – organizou um encontro com formadores de opinião itabiranos com o objetivo de apresentar à Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC). A iniciativa integra as ações do Instituto em prol do fortalecimento e difusão da metodologia APAC, tendo em vista a sensibilização de lideranças locais para a implantação de uma unidade do Centro de Reintegração em Itabira.

 

As APACs são centros de reintegração social de presos, ou recuperandos – como são chamados nas unidades – em que condenados dos três regimes – fechado, semi-aberto e aberto – cumprem pena. Baseada em uma metodologia própria, a execução penal nas APACs é humanizada e sustentada por 12 elementos que promovem, entre outras coisas, a formação educacional e profissionalizante dos recuperandos, a disciplina, o senso de responsabilidade e trabalho e a ressocialização, por meio do contato permanente com a família e a comunidade do entorno.

 

A metodologia criada em São José dos Campos pelo advogado Mário Ottoboni ganhou força em Minas Gerais e é apontada por especialistas como uma alternativa eficiente para a execução penal. “A APAC é uma alternativa de cumprirmos a constituição, com o apenado ciente de sua pena, mas de uma forma digna, para que ele nutra o sentimento de recuperação e não de vingança”, declara a Juíza da 2ª vara criminal e execuções penais de Itabira, Dra. Cibele Mourão Barroso, reforçando os benefícios do modelo. “Acredito que a implantação da APAC em Itabira contribuirá, não só para a ressocialização dos recuperandos, como para a diminuição da reincidência e a própria criminalidade”, conclui. Ao todo, no país existem 50 unidades da APAC em funcionamento, sendo 40 delas localizadas em Minas Gerais.

 

O Diretor-coordenador do Minas Pela Paz e diretor de comunicação corporativa e sustentabilidade da Fiat Chrysler Automobiles, o itabirano Marco Antônio Lage deu as boas-vindas aos convidados e reforçou os números que comprovam a eficiência das APACs. “Uma projeção das entidades representativas das APACs aponta que o índice de reincidência dos recuperandos que cumprem pena nos Centros de Reintegração é de 15%, enquanto no sistema comum esse indicador ultrapassa a marca de 80%”, explica Lage, destacando que a criação de uma unidade da APAC em Itabira pode ser um divisor de águas para a cidade. “Colocar Itabira no mapa das APACs é uma oportunidade excelente que trará desdobramentos para a imagem da cidade e para as mensagens que ela deseja transmitir. Itabira será reconhecida  como uma cidade moderna, antenada e conectada com os novos tempos”, reforça. 

 

Após a apresentação, os convidados participaram de uma visita guiada à APAC de Nova Lima, onde puderam conhecer um pouco da rotina, das atividades de laborterapia e das histórias de vida dos recuperandos. O Centro de Reintegração conta com bibliotecas, salas de aula e unidades produtivas, que preparam o recuperando para a reinserção profissional. Além de sediar a primeira unidade da UaiTec – Universidade Aberta Integrada.

 

Toda esta estrutura oferecida, somada aos cursos de capacitação, contribuem para o processo de ressocialização dos recuperandos. Hugo L. R. é um dos muitos exemplos de recuperandos que transformaram sua realidade ao passar pela APAC. Após quatro meses cumprindo pena na APAC de Nova Lima, Hugo concilia a liberdade condicional com o trabalho no Centro de Reintegração. “Estou a quase um ano trabalhando como auxiliar administrativo na APAC e tudo que eu aprendi aqui, tanto nos cursos profissionalizantes, como nas aulas de valorização humana, tem me ajudado muito em minha atividade”          , afirma Hugo, destacando que a APAC foi essencial para sua recuperação. “A APAC foi a chave-mestra para a minha transformação, pois ela me devolveu a dignidade, o meu nome – já que no sistema comum somos chamados pelo número do Infopen –, e restaurou a relação com a minha família. Aqui eu descobri a minha capacidade de mudar”, enaltece.

 

Rede Comunicação de Resultado

Flávia Rios

Informações para imprensa

Déborah Santos

 

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