O trabalho de humanização nas prisões desenvolvido pela Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC) e uma perspectiva da vida atrás das grades. Esses são os temas das obras “APAC – a face humana da prisão”, de autoria do deputado Durval Ângelo, e ” Preso estou, livre serei – Pastoral Carcerária: fundamentos, inspiração, atuação”, escrito pelo Frater Henrique Cristiano José Matos, ambos da Editora Lutador, lançados na última segunda-feira, 1º, em reunião realizada pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Durante a apresentação do livro, o deputado Durval Ângelo, falou da sua experiência com as APACs. “Conheci a APAC de Itaúna em 1997, quando atuei como vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) Carcerária. Em todos os estabelecimentos visitados só encontrávamos trevas e escuridão. Quando ouvimos falar da APAC ficamos interessados em conhecer. Vimos ali algo extraordinário. Um trabalho de solidariedade, de resgate da dignidade da pessoa. Ali pude perceber a grande questão, que é enxergar no outro o nosso irmão. A partir daí fizemos um relatório final, apontando o trabalho da APAC como a única experiência positiva em Minas. priorizamos, defendemos e divulgamos as APACs, insistindo para que o governo fizesse convênio com as mesmas, cobrando para que realmente houvesse a valorização da APAC, o que acabou culminando alguns anos depois com um projeto que mudava a Lei de Execução Penal Estadual, para que as APACs pudessem firmar convênios com o Estado”, contou.

O parlamentar também falou sobre a obra ” Preso estou, livre serei – Frater Henrique explicou que o livro é dividido em três partes, a primeira delas destinada a contar a realidade socioeconômica do Brasil, com seus desafios e contradições. “A maioria dos presos provém de uma realidade marcada por privações. São pessoas que foram feridas na sua humanidade, rejeitadas, excluídas. A primeira parte termina com a descrição da vida atrás das grades, quando tento analisar a psicologia do preso e o que ele experimenta no seu dia-a-dia”, comentou.

A segunda parte do livro, segundo Frater Henrique, destina-se a apresentar os fundamentos e objetivos da Pastoral Carcerária, e a terceira parte aborda o trabalho prático e concreto dos membros da pastoral e como se dá o seu relacionamento com os presos. O autor do livro lembrou que a obra é baseada em experiências concretas e trata da ação evangelizadora e de ressocialização nos presídios. “Quem está preso sonha com a liberdade. Essa privação já um mecanismo de desumanização”, analisou Frater Henrique.

O diretor executivo da Fraternidade Brasileira de Assistência aos Condenados (FBAC), Valdeci Antônio Ferreira, considerou que o livro de Frater Henrique vem como “um grito de profecia, em tempos de tantas dificuldades no sistema carcerário brasileiro”, que, segundo ele, mantém mais de 700 mil homens e mulheres que estão “abandonados à própria sorte”. No contexto da ressocialização do preso, ele lembrou do trabalho das APACs e se disse feliz por ver no lançamento do livro vários ex- recuperandos que, no passado, chegaram às APACs sem nenhuma esperança.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, William Santos, também falou sobre o exemplo que o Estado de Minas Gerais dá ao país através do Método APAC, que, segundo ele, apresenta uma alternativa ao sistema atual, na medida em que colabora para a ressocialização do preso.

durvalivro

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