Recuperandos da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados de Conselheiro Lafaiete (Apac-CL) participaram, nos dias 15 e 16 de setembro, de um curso promovido pela Fraternidade Brasileira de Assistência aos Condenados ( FBAC). O curso, segundo o encarregado de disciplina e segurança da Apac, Diego Calíquio Silva, foi voltado para os três regimes: fechado, regime semiaberto intramuros e do semiaberto. “A FBAC é um órgão que também fiscaliza o funcionamento da Apac. A equipe responsável por esse trabalho vem à unidade de Lafaiete freqüentemente. Todos os recuperandos participaram, porque se trata de uma oportunidade de conhecimento e aperfeiçoamento do método da Apac para os recuperandos”, explica Diego.
Hoje a Apac abriga cerca de 188 recuperandos. São condenados que, se não estivessem na instituição, cumpririam pena em algum presídio do país. O gerente de metodologia da FBAC, Roberto Donizete de Carvalho, também conversou com a nossa Reportagem. Ele explica que o órgão congrega todas as Apacs do Brasil e do mundo. A sede fica em Itaúna, mas há 50 unidades funcionando no Brasil e 12 fora do país. “ A FBAC tem a missão de fiscalizar a aplicação do método. Nós somos protetores da sociedade . Não adianta ter a Apac e não proteger a sociedade. È inadmissível a pessoa passar pela Apac e voltar a traficar, por exemplo. A Fbac atua também na missão de fiscalizar para ver se essa metodologia está funcionando; se o índice de recuperação, agrega as suas filiadas. Somos hoje 20 funcionários que percorrem as Apacs. Nossas palestras são terapias de realidade. Nós trabalhamos a valorização humana. Eles precisam escutar isso dentro da Apac. Por isso, a nossa reincidência é muito baixa. Ajudamos os recuperandos a refletir sobre a vida”, conta Roberto.
O recuperando Edson José Pereira, de 37 anos , falou de sua experiência na associação. Há dois meses na unidade de Lafaiete, ele destaca as mudanças que teve em sua vida. “ A palestra que esta sendo feita é uma valorização humana. Algo que nos ajuda a resgatar nossos valores; a despertar. Um dos momentos mais marcantes é quando se fala da família, especialmente, da mãe. È algo que acrescenta muita coisa em nossas vidas. Nós estamos aqui na Apac, pelo o amor e a confiança. Tenho muito que agradecer a Deus pela oportunidade de recomeçar”, revela.
O caminho que o trouxe para Lafaiete foi longo. Edson José Pereira foi preso no Rio de Janeiro e lá ficou um ano e sete meses. Depois, foi transferido para Minas e permaneceu em Juiz de Fora por 17 dias. De lá, foi levado para Barão de Cocais, onde ficou por dois anos, até conseguir entrar para o sistema Apac. A gratidão que ele tem pelas pessoas que atuam no sistema fica nítida em sua fala: “Peço muito a Deus por essas pessoas, que tanto nos ajudam porque o sistema convencional não me ajudou em nada. Tudo que me ofereceram foi ódio, revolta e mágoa. Na Apac, fui tratado com amor e foi esse amor que resgatou os valores que estavam mortos em meu coração. Despertou algo que estava adormecido em mim. Hoje amo minha família. Já tenho um meta para quando sair. Sei que não será fácil, mas sei que poderei contar com minha família , que estará ao meu lado sempre”, finalizou.
(Fonte: Jornal Correio da Cidade, pag. C3 – 24/09/2016 a 29/09/2016 – Edição n °1336/2016 / Conselheiro Lafaiete/MG).

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