Antes da pandemia, a APAC-São João del-Rei recebia projetos multidisciplinares para valorizar a vida humana e capacitar nossos recuperandos. Os objetivos são diversos, mas a gente destaca o afeto, a socialização e o compartilhamento de conhecimentos, como pilares comuns a essas ativiades.

Nesta quinta-feira (4) relembramos um projeto de audio-visual realizado entre dezembro de 2019 e fevereiro de 2020. Cerca de 8 comunicadores, promoveram oficinas de audiovisual e expressão através da arte. O resultado são esquetes e um curtametragem – realizado inteiramente por recuperandos. Segundo a equipe, outras imagens foram gravadas e estão em processo de montagem e finalização para se tornar um documentário.

A produção do material é assinada pela Nômades Filmes e Anatólia Filme, feito em conjunto com o projeto de extensão “A Grade Não Educa”, da UERJ. Um dos comunicadores, Lucas Andrade, fez um estudo audiovisual sobre privação de liberdade para seu mestrado, e compartilha sua experiência:

 

Você já conhecia a APAC e o método apaquiano?

“Sim. Tomei conhecimento do método em 2018. Em janeiro de 2019 conheci a APAC de São João del Rei e a partir de Julho do mesmo ano passamos a ir em grupo mensalmente no espaço para pensar a oficina e conhecer a dinâmica local.”

 

Como foi entrar em contato com a vida dentro da APAC?

“De modo genérico, a reclusão de liberdade é algo que muitas vezes causa e mostra bastante sofrimento a todos os envolvidos. Porém, conhecer a APAC nos fez perceber que o cumprimento de pena pode se dar de maneira mais humana. Ainda sim, esse contato com a APAC nos fez perceber que não basta os voluntários e os recuperados estarem dispostos a buscar uma vida melhor para todos ali presentes, as instituições são poderosas e muitas vezes retrógradas, tornando tarefa ainda mais árdua a presença nesse espaço. Foi também interessante perceber a responsabilidade que a presença de alguém externo àquele espaço trás consigo. Afinal, no caso dos voluntários, que estão ali por livre e espontânea vontade, o papel da educação se torna primordial, afinal, é impossível está naquele lugar e não pensar em como reintegrar aquelas pessoas a vida social.”

 

Além de audio-visual, outros temas foram debatidos por você e a equipe que te acompanhou. Como foi essa experiência?

“Algumas experiências mais pessoais e também dentro da oficina foram bastante ricas e impactantes. A partir de filmes e de situações cotidianas da vida, foi possível discutir racismo, homofobia e os mais diversos preconceitos presentes em nossa sociedade e também nas APACs.”

 

A equipe da APAC acredita que ressocializar é um ato necessário e coletivo. Nosso presidente, Antônio Carlos de Jesus Fuzatto, informa “muita gente não foi nem socializada, nunca recebeu oportunidade, e vai receber aqui na APAC”.

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