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O Diretor do CIEMA, advogado e missionário leigo comboniano, Valdeci Ferreira, recebeu em Milão, na Itália, o Prêmio Marisa Baldoni 2025, concedido pela Fondazione Casa dello Spirito e delle Arti. A premiação reconhece sua trajetória de dedicação às APACs e à FBAC, realizando o trabalho de fortalecimento e expansão do Método APAC, bem como a parceria com iniciativas italianas de promoção da dignidade humana.
“Receber esse prêmio é ter a certeza e a convicção de que um trabalho de tamanha envergadura como é a missão das APACs não se faz de modo isolado, é preciso trabalhar em rede, é preciso que haja muitas mãos para que ao final consigamos alcançar os resultados esperados. E esse prêmio além dessa convicção ele nos motiva a ir além-fronteiras para buscar novos apoiadores, novos colaboradores para que o Método APAC possa cada vez mais escalar, ganhar robustez e alcançar outras cidades, outros estados e outros países”, expôs Valdeci.
Reconhecimento internacional do Método APAC
O presidente da Fundação, Mosca Mondadori, destacou que as oficinas eucarísticas, criadas em 2016 dentro da prisão milanesa da cidade de Opera durante o Ano da Misericórdia, hoje estão presentes em diferentes países, inclusive no Brasil, através da colaboração com as APACs. “Compartilhamos a convicção de que a dignidade da pessoa deve estar sempre no centro de tudo”, afirmou.
Além da parceria com a Fundação, a relação da APAC com a Itália também se fortaleceu por meio da Comunidade Papa João XXIII, que desde 2008, após encontro com a FBAC, na ocasião representada pelo Valdeci Ferreira, passou a adaptar a metodologia, criando as Comunidades Educativas com Presos (CEC) na Itália.
Os frutos desse trabalho são expressivos: atualmente, o Brasil conta com 69 APACs em funcionamento, espalhadas por todo o país, acolhendo quase sete mil recuperandos, com o suporte de mais de 1.500 voluntários.
Os dados comprovam a eficácia do Método: enquanto a reincidência no sistema prisional comum atinge índices de 80% a 85%, nas APACs ela varia entre 10% e 20% — nas APACs femininas esse índice gira em torno de 2,84%. Além disso, o custo médio de manutenção é um terço do sistema convencional, e os episódios de violência ou rebeliões praticamente inexistem.
Outro diferencial ressaltado por Valdeci é a prática da justiça restaurativa, que convida a pessoa a reconhecer o crime cometido, os danos causados e a necessidade de reparação. “Cada pessoa é maior que o seu pecado, cada pessoa é maior que a sua culpa”, afirmou. Nesse processo, a experiência espiritual é essencial para promover reconciliação e transformação.
As oficinas de produção de hóstias, fruto da parceria com a Fondazione Casa dello Spirito e delle Arti, são exemplo de como o trabalho e a espiritualidade se unem no Método APAC. Atualmente em funcionamento em Itaúna, Frutal e na unidade feminina de Belo Horizonte — e em implantação em Ituiutaba — essas oficinas produzem diariamente centenas de milhares de hóstias distribuídas gratuitamente às paróquias.
“Mãos que antes cometeram crimes agora produzem o pão que, consagrado, se torna o Corpo de Cristo”, relatou Valdeci, emocionado. “Esse testemunho é uma prova viva de que é possível resgatar vidas e devolver à sociedade homens e mulheres transformados.”












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