No dia 4 de novembro, a Fraternidade Brasileira de Assistência aos Condenados (FBAC) recebeu uma delegação do sistema prisional da Holanda, representada por três integrantes da Prisão de Vught. A comitiva, composta por Adrianus Wilhelmus van Lokven, do Serviço de Instituições Judiciárias, Jacob Marie Anton van Weelden, Chefe de Detenção e Reintegração, e Cleomar Carlos Leijser, instrutor de esportes, veio ao Brasil para conhecer de perto a metodologia APAC (Associação de Proteção e Assistência aos Condenados), que se destaca pela proposta de ressocialização humanizada e por seus resultados positivos. A visita foi acompanhada por Tatiana Faria, Diretora-Geral da FBAC, e Gabriela Meyer, Analista de Relações Internacionais, que apresentaram o Método APAC aos visitantes. 

O roteiro incluiu visitas ao CERESP de Betim e à APAC de Betim, onde a comitiva pôde observar as práticas que diferenciam o método APAC do sistema prisional convencional. O encontro contou ainda com a presença de Lilian Aparecida Graciano Magalhães Damásio, Diretora de Custódias Complementares da SEJUSP, e Anésio Cassiano da Silva, policial penal, que auxiliaram na apresentação do sistema prisional brasileiro.

Na APAC de Betim, os representantes holandeses observaram de perto as práticas que diferenciam o método APAC: o modelo incentiva o envolvimento ativo dos recuperandos em atividades educativas, laborais e de autogestão, promovendo dignidade e corresponsabilidade. Esse ambiente humanizado e colaborativo visa a reintegração social efetiva, permitindo que os recuperandos mantenham laços com a família e com a sociedade enquanto cumprem suas penas de forma produtiva.

Tatiana Faria destacou a importância dessa visita para o fortalecimento das relações internacionais da FBAC e para o interesse crescente no modelo APAC. “Hoje a FBAC desenvolve projetos para ampliar essa proposta metodológica em outros países. Essa visita representa o reconhecimento global da APAC como uma alternativa eficaz ao encarceramento tradicional, e estamos comprometidos em compartilhar o modelo e fortalecer colaborações internacionais”, afirmou.

Jacob Marie Anton van Weelden, Chefe de Detenção e Reintegração da Prisão de Vught, expressou sua admiração pelas oportunidades oferecidas aos recuperandos na APAC de Betim: “Foi muito enriquecedor ver as oportunidades que os recuperandos têm de estudar, ensinar, trabalhar e se alimentar junto à equipe de colaboradores. Espero levar esses aprendizados para a Holanda, pois acredito que práticas como essas auxiliam muito na reintegração à sociedade e ao convívio familiar”, comentou.

Adrianus Wilhelmus van Lokven, do Serviço de Instituições Judiciárias de Vught, destacou a inovação da experiência: “Viemos ao Brasil para conhecer de perto as práticas da APAC e estamos impressionados com as diferenças que essas práticas oferecem aos recuperandos, desde o ambiente até o tratamento humanizado.”

Já o instrutor de esportes Cleomar Carlos Leijser refletiu sobre as possibilidades que essa experiência traz para o sistema prisional holandês: “Minha expectativa é que, a partir desta visita, possamos pensar em mais prisões ‘abertas’, com maior liberdade e mais oportunidades para os presos, o que pode fazer uma grande diferença no cumprimento da pena”, afirmou.

A visita da comitiva holandesa representa um marco para a FBAC e reforça a relevância global da metodologia APAC. Após esse primeiro encontro, a FBAC planeja continuar o diálogo com as autoridades da Holanda para explorar possibilidades de cooperação e ampliação da metodologia APAC em prisões holandesas, consolidando o modelo brasileiro como uma referência inspiradora de ressocialização para o mundo.

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