“Quando se fala em arte o pessoal acha que é uma loucura, mas não, é uma forma de curar: LOU-CURA”, diz o voluntário Donizetti Bernardes
Donizetti Bernardes lançou o projeto, na APAC, no último dia 15
O grupo Corpo Vivo, formado por alunos da APAE (Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais), criado e liderado pelo artista e voluntário Donizetti Bernardes, finalizou 2016 com 30 apresentações durante o ano todo, apresentando-se em empresas, escolas e seminários. Uma dessas performances – a peça “Dançando para o Menino Deus” – foi feita na APAC (Associação de Proteção e Assistência aos Condenados) em Arcos, nas vésperas do Natal. Emocionado com a gratidão dos recuperandos, Donizetti idealizou um projeto artístico para eles, que começou a ser concretizado no último dia 15.
Em reunião na instituição, elefalou sobre sua proposta: criar um grupo formado por recuperandos, para participar de oficinas de musicalização, teatro e grafite. Donizetti Bernardes acredita que como estão privados do convívio social, são pessoas que têm ideias interessantes para colocarem em prática. A proposta é que, após receberem a qualificação necessária, o trabalho seja mostrado internamente e externamente. O grafite, por exemplo, poderá ser produzido e lixeiras e muros de escolas.
O número de recuperandos que concordaram em participar das oficinas – um total de 26, entre os 44 internos – superou a expectativa de Donizetti Bernardes. Afinal, a unidade é composta apenas por homens e ainda existe certo preconceito com relação à atividade artística. “Quando se fala em arte, o pessoal acha que é uma loucura, mas não, é uma forma de curar: LOU-CURA”, comenta o voluntário.
Na última terça-feira (19), Donizetti Bernardes e o encarregado de segurança da APAC, Jader Sousa, oficializaram a proposta, que será encaminhada para avaliação do Tribunal de Justiça e da Promotoria de Justiça. Se for aprovada, serão necessários patrocinadores para o projeto, que não é caro, uma vez que serão utilizados, em sua maioria, materiais e instrumentos reciclados. “Isso pra mim vai ser mais um desafio para testar minhas ideias sobre a arte. Estou com o coração aberto para as propostas deles”, diz Donizetti Bernardes, que está otimista. Ele acredita que dentro de seis meses consiga mostrar o resultado do trabalho proposto. Ele informa que se algum recuperando terminar de cumprir a pena no período de atividades, ele terá total autonomia de continuar no grupo para fazer as apresentações.
Jader Sousa disse ao CCO que a APAC recebeu a proposta da melhor forma possível. “O número de recuperandos que se interessou em participar das oficinas supreendeu, porque geralmente o recuperando é retraído. Agradeço a iniciativa de Donizetti Bernardes”.
Doe o instrumento musical que você tem em casa e não usa
Donizetti Bernardes pede que a comunidade abrace essa causa, patrocinando ou doando qualquer instrumento de música ou de percussão que tenha dentro de casa e não esteja sendo usado. “Eu preciso é disso para trabalhar, eu tenho a minha ideia, eu tenho a vontade deles de aceitar a proposta. Então eu queria que a comunidade fizesse uma campanha para ajudar. Qualquer tipo de instrumento guardado que o pessoal tiver, mesmo que estejam danificados, serão úteis. Lá eles vão ter tempo de restaurá-los. O meu pedido maior é que a comunidade abrace essa causa conosco”, destaca. Se você quer colaborar, ligue 9 9106-2605 e fale com Donizetti Bernardes.
Agradecimento – “Gostaria de agradecer à APAC por ter aceitado a proposta, principalmente ao Jader, por confiar em mim; agradecer ao Tadeu Nunes, da Rádio Cidade; a Aparecida Bernardes, minha irmã, por ter nos ajudado a fornecer o lanche no dia da nossa visita à instituição; e ao jornal Correio Centro Oeste, que está sempre do meu lado”, destaca Donizetti Bernardes.

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