Ricardo Vieira da Silva Filho, 23 anos, é apenado do regime semi-aberto em Coroatá, por envolvimento com o tráfico de drogas. Há dois anos, ele integra o grupo de recuperandos da Associação e Proteção e Assistência aos Condenados (APAC) de Coroatá e já conseguiu reorganizar a família, trabalha nas atividades da APAC e diz ter certeza que não terá recaídas no futuro.
“É uma experiência muito boa. Consegui recuperar minha vida. Planto, capino e quando cumprir minha pena, vou procurar um emprego”, comentou Ricardo Filho, timidamente, que aguarda decisão da Justiça sobre o pedido de livramento condicional.
A realidade da APAC de Coroatá foi vista de perto pelo corregedor-geral da Justiça do Maranhão, desembargador Cleones Carvalho Cunha, durante sua visita à Comarca de Coroatá, para prestigiar o mutirão processual organizado pela juíza Josane Braga, da 1ª Vara. Além dela, o juiz Francisco Ferreira Lima, titular da 2ª Vara de Coroatá, esteve presente durante a visita.
“Fiz questão de conhecer a APAC porque sei que onde há uma APAC, a recuperação dos apenados é melhor. Onde existe uma APAC, existe recuperação, de fato, daqueles que se desviaram das condutas da vida em sociedade”, comentou o corregedor-geral Cleones Cunha.

A APAC de Coroatá conquistou, recentemente, uma área própria para o funcionamento de sua sede própria. Um terreno de 17 hectares foi cedido pela Fazenda da Esperança, da Igreja Católica, para a instalação da associação na cidade de Coroatá. O terreno já é propriedade da APAC. “Já temos o documento nas mãos. Agora, a APAC tem uma sede própria”, comemora Marilena Vieira Leite, presidente da associação. Toda a estrutura da associação já está sendo transferida para a nova sede. A APAC funciona desde a sua fundação, em junho de 2008, em uma área de 3 hectares, de propriedade de Marilena Leite. Com mais espaço e estrutura própria, a expectativa é que os resultados do trabalho sejam ainda melhores e mais animadores.
De acordo com a presidente da APAC de Coroatá, nos quatro anos de atuação, são 36 recuperandos que conseguiram reconstruir família. “É muito gratificante ver essas famílias recuperadas, ao lado de quem se ama. O melhor, ainda, pela APAC, é ver que os que já cumpriram regime fechado passam a dar valor a vida, porque ou é isso ou é voltar pior para a sociedade”, frisou Marilena Vieira Leite. Atualmente, são 72 recuperandos fazendo parte da APAC de Coroatá, entre recuperandos do regime fechado, semiaberto e aberto. 
Na APAC de Coroatá, entre as atividades que se destacam está a plantação de frutas e verduras. Na nova área, a criação de peixes também será realizada, já que no terreno pode-se ter até quatro açudes. E é o dinheiro arrecadado com a venda da produção que a APAC vem se mantendo, somando-se as doações e os valores que são repassados pela Justiça, com os Termos Circunstanciados de Ocorrência. “É provável que ainda neste mês de julho tenhamos a assinatura de um convênio com a Secretaria de Estado de Justiça e Administração Penitenciária”, revelou Marilena Leite. “Vale a pena ver que o trabalho da APAC está dando certo e torcemos para que ele fique mais estruturado.
Vemos que os que descumprem as regras é uma quantidade muito pequena. Isso é importante destacar porque significa que o trabalho está dando certo”, ressaltou a juíza Josane Braga. Para o desembargador Cleones Cunha, é muito importante incentivar a instalação de APAC’s em outras comarcas do Estado, a exemplo de Pedreiras, a pioneira, Timon, Viana, Imperatriz e Viana, estas três últimas instaladas, mas ainda em fase de implantação. “Todos são passíveis de erros.
O importante é reconhecê-los e se recuperar, para não voltar a cometer os deslizes”, completou. 

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