Relembrar os 44 anos do martírio de Franz de Castro é manter vivo seu legado de amor ao próximo. Voluntário e forte apoiador do movimento, Franz de Castro compôs a presidência da primeira APAC, em São José dos Campos, juntamente com Mário Ottoboni. Contudo, teve sua vida interrompida em um ato de violência que chocou o país. No dia 14 de fevereiro de 1981, durante uma rebelião no presídio de Jacareí (SP), após se oferecer para ficar no lugar de um policial militar que era feito refém, rompeu-se um tiroteio entre a polícia e os bandidos.

Franz, que estava dentro do carro que seria usado para a fuga, teve seu corpo alvejado por mais de 30 perfurações de projéteis e morreu ao lado dos criminosos. Por isso, Franz de Castro é considerado o mártir do amor, pois morreu pela causa. Sua compaixão não conhecia limites, e ele era conhecido por tratar todos os indivíduos que encontrava com respeito e empatia, independentemente de seu passado.

A morte trágica de Franz de Castro deixou uma marca indelével no coração de muitos, especialmente dentro da comunidade APAC. Também chamado de servo de Deus, Franz tem uma história exemplar de coragem, sacrifício e uma fé inabalável no poder da redenção. Exímio advogado e voluntário defensor da humanização da pena no Brasil, dedicou sua vida à causa da APAC. De Castro não foi apenas um dos precursores desse movimento, ele era um farol de esperança. Seu trabalho muitas vezes o levou a ambientes perigosos, onde ele continuou defendendo incansavelmente os direitos e a reabilitação dos prisioneiros.

O movimento APAC ganha mais força

A tragédia, ao contrário de todas as previsões, só fortaleceu o movimento das APACs. Mesmo na morte, o legado de Franz de Castro continuou a inspirar. Seu sacrifício impulsionou o crescimento das APACs, ganhando adesão e galvanizando apoiadores para continuar sua missão. Sua morte tornou-se símbolo do poder transformador do perdão e da crença em segundas chances. A vida e a morte de Franz de Castro é um testemunho irretocável da resiliência do espírito humano.

Hoje, Franz de Castro é lembrado não apenas como um mártir, mas como um herói que entregou sua vida ao serviço dos outros. Seu legado vive nos inúmeros prisioneiros que mudaram suas realidades graças ao sistema APAC, bem como nos corações daqueles que continuam a lutar por um mundo mais justo e compassivo. Todos os anos, no aniversário de sua morte, a comunidade da APAC se reúne para homenagear sua memória e reafirmar seu compromisso com a humanização da pena e a recuperação do indivíduo, tudo em prol de uma sociedade mais segura.

APAC se expande propagando o legado

A metodologia da APAC, que Castro ajudou a criar, ganhou reconhecimento internacional por seu sucesso na redução das taxas de reincidência e na promoção de uma reabilitação genuína. Além de 69 APACs no Brasil, 42 unidades em implantação, a metodologia já está presente em diversos países e sua expansão continua de forma exponencial.

Ao refletirmos sobre sua vida e legado, somos chamados a levar adiante sua trajetória de compaixão, justiça e redenção. Em um mundo que muitas vezes parece dividido, seu exemplo serve como guia da esperança, provando que mesmo nos lugares mais escuros, a luz pode ser encontrada.

Como disse certa vez o Dr. Mário Ottoboni, fundador da APAC, “Franz de Castro não morreu em vão. Seu sangue foi a semente de uma nova esperança para a humanidade”. Vamos honrar sua memória continuando a lutar por um mundo onde cada indivíduo tenha a chance de superar seus erros e construir um futuro melhor.

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